Nas palavras de Olavo de
Carvalho:
“Nunca imaginei que a inteligência da massa universitária pudesse descer tão baixo. No Occupy Wall Street você não encontrará um único baderneiro que imagine estar participando de um movimento “apolítico”, que ignore tratar-se de iniciativa da esquerda radical. No Brasil, cada um atribui ao movimento como um todo a vontade pessoal que o anima por dentro. Porque o sujeito não se sente comunista, e participa do movimento, ele conclui que o movimento não é comunista. Parece impossível explicar a essas criaturas que um movimento político não é a confluência fortuita de emoções íntimas que, por casualidade, estavam na mesma praça na mesma hora. Nunca a expressão “massa de manobra” foi mais oportuna e exata.”
E esse seria o resumo de tudo o
que eu preciso dizer do que eu acredito que tem sido as manifestações.
No meu ponto de vista pessoal e
extremamente particular, o que iniciou de forma interessante, com grandes
possibilidades de ser um movimento até mesmo bonito de se ver – ora, a
população indignada se revoltou contra os absurdos que nos impõem – subitamente
se mostra uma movimentação sem motivos e objetivos claramente definidos.
Sob a égide de um movimento
irreverente, as pessoas confundiam as coisas e declaravam abertamente que as
ruas nada mais eram do que uma grande rave, só que sem música e sem open bar –
o grande problema é que esqueceram que em toda rave que se preze, há e sempre
haverá seguranças pronto pra cortar os excessos.
‘Mas nós estamos em manifestação,
estamos em iniciando uma revolução para mudar o país!’.
Lindo, mas pra mudar algo, as
pessoas se esquecem que existe uma situação, que provavelmente, não irá querer
essa mudança, e, muita das vezes, é essa situação que detém o ‘contrato dos
seguranças da Rave’.
A falta de coesão, e de
representatividade – alardeada por um fascismo ignorante (sério) que insiste
que qualquer representação política desvirtuaria o movimento – fizeram com que
os produtores dessa grande ‘Rave’ olhasse para a cara da turba e em tom de gozação,
ou, o que eu prefiro dizer, com jocosa condescendência, olha para os que ali
estão, após terem pago a entrada para festa e diz:
‘Ok, terá open bar, mas não
daremos a música, e cobraremos um extra pelo benefício.’
Para os que ainda precisam de
desenho vamos lá, o primordial da festa continua sendo negado, a música, mas o
‘pão e o circo’, o open bar, é liberado, só que não será de forma livre,
pagar-se-á por ela.
‘Negão, você fugiu do assunto.’
Desenhando novamente:
Baixaram-se a passagem, pleito
inicial, falaram sobre ouvir ‘a voz das ruas’, a seleção brasileira ganhou mais
um título e, com exceção de alguns mais engajados e obstinados, todos estão
dançando sem música já que o bar foi liberado, por um precinho até que
camarada.
Mas, viva a revolução, e o
transtorno está desculpado por terem mudado o país.
Sharkael.

